Até porque toda empresa que decide tudo através de uma única pessoa tem um risco estrutural em mãos, não um dono incrivelmente devotado.
A presença do empresário na operação, no sentido de estar por dentro do que acontece e deixa de acontecer, é uma vantagem competitiva interessante. Claro, se você conhece bem a história do negócio, entende os seus clientes, reconhece ciladas e saídas… seu poder de decisão ajuda (e muito).
Não estou invalidando isso.
O que faz disso um problema é quando essa presença deixa de ser uma força e passa ser uma condição incontornável para que qualquer coisa aconteça. É nesse momento que a sua empresa deixou de ter um líder centralizado e começou a assumir um risco estrutural.
Uma única coluna, vários andares sobre ela. Se ela começar a trincar, tudo o que ela sustentava sozinha vai ao chão também. Esse é o ponto.
E os números mostram que isso não acontece só com você.
Há um tempo atrás, a pesquisa Cabeça de Dono, do Instituto Locomotiva ouviu 1.001 líderes de pequenas e médias empresas. 98% se responsabilizavam por decisões estratégicas em pelo menos uma área. 96% deles também executam tarefas operacionais em pelo menos uma área.
Em média, cada um deles atuava em quatro áreas. Ao mesmo tempo.
Se você ainda acha que não tem nada demais acontecendo aqui, talvez a próxima estatística te convença. Entre os empresários que executavam, 33% faziam isso completamente sozinhos.
Fonte: pesquisa Cabeça de Dono, Instituto Locomotiva, com 1.001 líderes de PMEs.
Isso trava o crescimento da sua operação e não é difícil entender o motivo. A capacidade de decisão da empresa não ultrapassa a capacidade de atenção de quem decide, se limita a ela. E você até pode trabalhar mais e mais horas em um dia, mas ele nunca vai deixar de ter 24 horas.
Sendo um só, com limitações e totalmente sobrecarregado, sua equipe espera o seu sim ou o seu não. Mas você está equilibrando outros pratos e apagando outros incêndios. Então, a oportunidade passou e aquele ritmo que podia te levar adiante, desacelerou.
O que pode ser feito agora? Contratar mais gente?
Mais gente para esperar sua aprovação, sem autonomia para tocar as coisas?
Seu ponto de partida vai precisar de mais do que novas folhas de pagamento e um novo quadro de funcionários. Vai precisar que você solte um pouco os tijolos e assuma a caneta. Redesenhar o processo decisório tem que ser o primeiro passo.
O que fica para você? O que pode ser delegado? Quais são os critérios para seguir em frente, com essa nova visão?
Quando você entende que não perde o controle nem o crédito quando assume que precisa de suporte, sua empresa amadurece.
Você pode continuar decidindo bem mesmo sem estar presente em cada detalhe. O nome disso? Governança.
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